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Crítica: A Maldição da Residência Hill

Um resumo:
No último dia 12 de Outubro, estreou na Netflix a série ''A Maldição da Residência Hill''.
The Haunting of Hill House (no título original) é uma série de televisão de terror sobrenatural americana criada por Mike Flanagan. É baseado no livro de 1959 do mesmo nome de Shirley Jackson.
No verão de 1992, Hugh e Olivia Crain se mudaram temporariamente para uma antiga mansão, Hill House, junto com seus cinco filhos: Steven, Shirley, Theodora (Theo), Luke e Eleanor (Nell). Eles experimentam ocorrências paranormais e perdas trágicas, forçando-os a sair de casa. Em outubro de 2018, 26 anos após as assombrações, os irmãos Crain e seu pai, Hugh, se reencontram depois que a tragédia ataca novamente, forçando-os a confrontar seus demônios internos de sua infância compartilhada enquanto lamentam suas perdas.

Os irmãos Crain em 1992

Os nossos medos

Quais são os seus medos?
A série logo nos coloca de cara com o medo. Que por sinal, é um sentimento que nos acompanha desde o nascer. É sabido que um bebê chora por dois motivos: dor e medo. Esses motivos estão sempre abraçados porque estamos sempre temendo sofrer e doendo por medo.
Durante nossas vidas enfrentamos muitos fantasmas, mas não me refiro necessariamente aos que voltaram do mundo dos mortos. Enfrentamos o fantasma da rejeição, o da violência, o da injustiça, o do desemprego e tantos outros fantasmas que nos cercam a todo tempo, nos assombrando e fazendo com que nós passemos nossas vidas fugindo deles, invés de enfrentá-los e vencê-los.
É justamente isso que ocorre na série. Eles fogem, eles correm, eles renegam seu passado por medo. Medo de olhar para trás e se sentirem vulneráveis. Preferem acreditar no que é plausível para os outros em vez de acreditarem em suas próprias vivências. E isso nos faz pensar em como as vezes menosprezamos nossa experiências de vida e constantemente nos envergonhamos delas, ao mesmo tempo que enaltecemos as vivências de outrem. É lamentável. Precisamos reconhecer o nosso valor no mundo. O passado não é vergonha, ele também é sua vida; ele é aprendizado.

Na série, a porta vermelha guarda um grande segredo. Sua mente também guarda. Você tem coragem de abrir?

Outra reflexão que A Maldição da Residência Hill me trouxe é sobre um sentido precioso: a audição.
Nosso mundo é muito ''decibélico'', é uma guerra de sons absurda. Todo mundo quer falar, extravasar e poucos querem ouvir, menos ainda sabem ouvir. Na série constantemente é visto choros, avisos, clamores e como acontece na realidade, as pessoas não calam o barulho do seu orgulho para se orgulhar em ter ajudado alguém. É uma batalha de ego, que na série, o lado da balança sempre pendia para os mais novos (Nell e Luke). Sim, os menores.
E em qual realidade, ficcional ou real, os pequenos conseguiram ter tanta voz quanto os grandes?
Por fim, a série me falou sobre o uso do nosso tempo. Como nós desperdiçamos o tempo com quem amamos. Quando estamos longe sentimos falta, quando estamos perto não damos a atenção necessária. Claro que isso não é unanimidade e espero que possamos ser justamente o ponto discrepante dessa sina.

A vida é uma escada de aprendizados. Não viva a sua sem subir esses degraus.

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