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Em Buenos Aires, Manuela D'Ávila e Boulos falam do futuro da oposição

Manuela D'Ávila no forúm Clacso em Buenos Aires. Imagem: Divulgação

EFE - A ex-candidata à vice-presidência, Manuela D'Ávila, afirmou nesta terça-feira que a eleição de Jair Bolsonaro é consequência de uma "crise profunda" do capitalismo, e que este "já não necessita da fantasia da democracia".

Em uma conferência do Fórum Mundial do Pensamento Crítico de Buenos Aires na qual estava programado um discurso do ex-candidato à presidência, Fernando Haddad, que acabou não comparecendo, sua companheira de chapa e o também ex-candidato a presidente, Guilherme Boulos, falaram do futuro da oposição brasileira.

Na mesa chamada "Brasil: A esperança vencerá o medo ", na qual o lema mais repetido entre os milhares de espectadores foi "Lula livre", Manuela D'Ávila disse que a atual situação do Brasil surgiu "em uma crise profunda, uma crise do capitalismo que castiga todo o mundo".

Segundo Manuela, a esquerda latino-americana está "chegando ao consenso" de que o capitalismo "já não necessita de saídas democráticas", nem da "fantasia" da democracia.

A ex-companheira de chapa de Haddad comentou que se está alcançando "o fim de tudo aquilo que foi construído pela Revolução Francesa", o que exemplificou com o fato de que "as mulheres e os negros não sofrem o capitalismo da mesma maneira", e acrescentou que existe "incompreensão" sobre esta mudança histórica entre a própria esquerda.

Manuela criticou ainda o "falso dilema" entre as lutas como o feminismo e princípios como a defesa do trabalho ou o desenvolvimento econômico, um "debate errado", uma vez que "não se pode conseguir desenvolvimento sem igualdade".

"Estou preocupada conosco e como resistiremos", disse Manuela, que apontou o "caminho da resistência", com "unidade e mobilização", para enfrentar um "futuro do qual não se tem a menor noção".

"São ultraliberais que vão nos perseguir, mas não sabemos como", frisou.

Por sua parte, Boulos declarou que se vivem "tempos difíceis" no mundo todo e na América Latina, mas "sobretudo no Brasil", onde governa "a mais perversa das alianças", entre "o mais extremo liberalismo econômico, o conservadorismo moral e o autoritarismo".

"Não exagerávamos quando dizíamos que Bolsonaro era um risco fascista", salientou Boulos, que garantiu que a escolha da oposição de esquerda "não são as prisões nem o exílio, mas as ruas para resistir à tirania".

Para o ex-candidato a presidente, a "nova onda" de judicialização da política consiste em atacar os movimentos sociais, com uma "lei que trata o protesto como um ato de terrorismo".

Entre os desafios para a oposição do Brasil, Boulos falou de "vencer o medo" que, segundo disse, Bolsonaro tenta impor.

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