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Situação do Hospital Getúlio Vargas motiva discussão no Plenário da Alepe

Deputados da oposição, Willian Brigido, Clarissa Tércio, Romero Sales Filho e Marco Aurélio - Fotos - Roberto Soares

Deputados oposicionistas expuseram, na Reunião Plenária desta segunda (18), o resultado da visita realizada pela manhã no Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Zona Oeste do Recife. De acordo com Clarissa Tércio (PSC), William Brigido (PRB) e Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB) foram verificadas, na unidade de saúde, situações como pacientes em macas no chão, falta de remédios e insumos básicos. As críticas foram rebatidas pelo líder do Governo, deputadoIsaltino Nascimento (PSB), que elencou o reforço dos investimentos estaduais no setor.

A vistoria marcou a primeira etapa da “Blitz da Oposição”, iniciativa que pretende identificar, in loco, os problemas do Estado, além de fiscalizar órgãos públicos. Primeira a tratar do tema, a deputada Clarissa Tércio comparou o hospital a um “cenário de guerra”. A parlamentar falou do calor intenso, de vazamentos e da falta de luvas, algodão e gaze. Também citou o caso de uma paciente que estava em uma maca no chão.

“Ela teve trombose e estava há dois dias sentada numa cadeira, com as pernas inchadas. Fizeram o ‘favor’ de colocá-la numa maca no chão. Outros pacientes compraram fraldas para ajudá-la. Essa é a realidade da saúde pública do nosso Estado”, descreveu, acrescentando que “a Oposição continuará na rua para mostrar a verdade e cobrar melhorias para o nosso querido povo pernambucano”.

William Brigido, por sua vez, qualificou como “deploráveis” os problemas constatados. O deputado ressaltou os casos de um doente que não tinha o curativo trocado há três dias e de uma enfermeira que compra remédios para pacientes. “É lamentável a dor do povo pernambucano. Espero que o governador Paulo Câmara, junto com a sua equipe, tome providências urgentes, porque ali tem gente que pode morrer ainda hoje por falta de um comprimido”, prosseguiu.

Em pronunciamento no Grande Expediente, o líder da Oposição, Marco Aurélio Meu Amigo, também repercutiu a visita. De acordo com o parlamentar, na emergência do HGV há apenas uma cadeira de banho, que se encontra quebrada, e faltam analgésicos como Tramal e Dipirona. Ele mencionou, ainda, a situação de uma mulher que estava em jejum há três dias, à espera da ultrassonografia.

Segundo Marco Aurélio, os problemas foram documentados em fotos e vídeos, e as denúncias serão levadas para as redes sociais. “Se existe um inferno na Terra, aquilo ali pode ser considerado um. Nenhum ser humano merece passar pelo que está acontecendo no Getúlio Vargas”, enfatizou.

O discurso do oposicionista foi aparteado pelos deputadosRomero Sales Filho (PTB) e Antônio Coelho (DEM), que também participaram da vistoria. De acordo com o petebista, a recente ampliação de 22 leitos foi um “paliativo” diante do déficit de 150 leitos: “As pessoas têm que ficar em cima de um papelão ou levar colchonete para não ficar ao relento”, disse. “Os profissionais estão trabalhando com sobrecarga, porque a emergência tem capacidade para 70 pacientes, e o hospital estava com cerca de 170. Muitas vezes, esse número chega a 200”, emendou Coelho.

Antes de vistoriar o HGV, a Oposição esteve no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), onde conversou com o presidente do órgão, conselheiro Marcos Loreto. Eles discutiram o relatório sobre obras paralisadas, que aponta 1.548 obras nessa situação em Pernambuco. “Informamos que a gente ia seguir o relatório como uma bússola”, explicou Marco Aurélio.

Resposta – Último a se pronunciar sobre o tema, Isaltino Nascimento destacou que Pernambuco direciona à área de saúde 15,8% da própria receita, índice superior ao mínimo estabelecido constitucionalmente (12%). O líder do Governo salientou, ainda, que a participação do Estado no setor vem aumentando nos últimos anos para compensar a queda dos repasses federais. “Pernambuco entra com 67% de todo o valor gasto em saúde no Estado; há dez anos, eram 51%”, frisou. “O que a Oposição poderia fazer para contribuir seria pedir ao presidente Bolsonaro que reforce os recursos enviados para cá.”

Com relação ao Hospital Getúlio Vargas, Nascimento afirmou que houve ampliação de 44% no número de leitos na unidade no ano passado e que outras 28 vagas serão inauguradas em 2019, totalizando R$ 18 milhões em investimentos. O socialista lembrou, ainda, a contratação recente de 500 profissionais para reforçar os atendimentos nessa unidade específica.

Nascimento pontuou, também, que as dificuldades dos municípios em oferecer atendimento básico repercutem nas unidades do Estado. “Os hospitais estaduais recebem uma sobrecarga nos finais de semana, já que boa parte das unidades municipais não atende nesses dias”, ressaltou. Por fim, questionou a apuração das denúncias pelos oposicionistas. “É importante preservar a identidade das pessoas nas unidades de saúde, para que não se incorra em práticas inadequadas.”

Marco Aurélio voltou à tribuna, no tempo dedicado à Comunicação de Lideranças, para responder ao líder do Governo: “Não queira insistir em tentar pautar a Oposição, porque Vossa Excelência não vai conseguir. As pessoas não apenas autorizaram, como pediram para que as filmássemos para expor a situação”, contou. Ele ainda salientou que os serviços de ampliação do HGV, citados por Nascimento, estão no relatório de obras paradas divulgado pelo TCE.

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