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Teresa Leitão questiona suposto monitoramento da Igreja Católica pela Abin

AVALIAÇÃO – Para a deputada, Governo Federal quer ditar a pauta dos sacerdotes católicos, o que representaria uma ameaça à liberdade religiosa. Foto: Roberto Soares

O monitoramento de bispos católicos que atuam na Amazônia pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi um dos destaques negativos dos primeiros 50 dias da gestão do presidente Jair Bolsonaro, na avaliação da deputada Teresa Leitão (PT). Em discurso na Reunião Plenária desta terça (19), a parlamentar disse acreditar que o Governo Federal estaria tentando ditar a pauta dos sacerdotes católicos, o que ameaçaria a liberdade religiosa.

“Não estão investigando os Arautos do Evangelho ou a Opus Dei, mas sim o chamado ‘clero progressista’ – ou seja, o setor da Igreja que, para eles, está se aproximando do povo pobre. Ora, a base de Alcântara pode ser reaberta para os Estados Unidos, mas bispos brasileiros discutirem a Amazônia são uma ameaça?”, questionou a petista.

Para Teresa Leitão, “o Governo já tentou confrontar a Constituição tentando coibir as liberdades sexual e de cátedra e, agora, tenta controlar a liberdade de credo”. “Vão perseguir outro Padre Henrique, outro Frei Tito, outro Dom Helder?”, indagou, citando exemplos de religiosos católicos que foram alvo da ditadura militar.

As ações de monitoramento, publicadas em matéria do jornal O Estado de S. Paulo no dia 10 de fevereiro, foram relativas a eventos preparatórios do Sínodo da Amazônia – encontro de bispos católicos que será realizado em outubro, em Roma, para discutir problemas da região. Segundo a reportagem, quatro escritórios da Abin foram mobilizados para acompanhar reuniões referentes ao Sínodo em paróquias e dioceses.

Em nota oficial, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência declarou que “a Igreja Católica não é objeto de qualquer tipo de ação pela Abin”, mas que “parte dos temas do Sínodo tratam de aspectos que afetam, de certa forma, a soberania nacional”.

Teresa Leitão também lembrou que diversas declarações de ministros do Governo Federal são “estapafúrdias, sem consistência política ou respeito à liturgia do cargo”. “O ministro da Educação, por exemplo, acha que o ensino pode ser uma mercadoria, num país que tem uma legislação consolidada que trata a educação como direito subjetivo”, criticou. A deputada ainda registrou as denúncias de que o partido do presidente, o PSL, teria lançado “candidaturas-laranja” nas Eleições 2018 para embolsar indevidamente recursos do Fundo Partidário.

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