O estado de São Paulo chegou a 23 casos confirmados de sarampo em 2026, e a alta recente de diagnósticos levou as autoridades de saúde a reforçarem a vacinação. Segundo informações divulgadas em 7 de agosto, foram registrados sete novos casos em apenas três dias. Entre os pacientes confirmados, 16 não tinham histórico de vacinação ou apresentavam esquema vacinal incompleto.
A atenção está concentrada principalmente nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, onde foi identificada uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus. Nessas três cidades, a estratégia de vacinação foi ampliada temporariamente para pessoas de 6 meses a 59 anos.
Por que os casos de sarampo em São Paulo preocupam?
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 90% das pessoas próximas que não estejam protegidas.
A transmissão acontece pelo ar quando uma pessoa doente tosse, espirra, fala ou até respira próximo de outras pessoas. O vírus pode circular antes mesmo de as manchas vermelhas típicas aparecerem, o que facilita sua disseminação.
O aumento de casos em São Paulo ocorre em meio a uma preocupação internacional com a circulação do sarampo. O Ministério da Saúde informou que os registros identificados no estado estão relacionados à importação do vírus, situação em que uma infecção adquirida fora do país pode iniciar uma cadeia de transmissão entre pessoas suscetíveis.
Quem deve tomar a vacina contra o sarampo agora?
Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a orientação temporária é oferecer a vacina contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos durante a estratégia de intensificação, que segue até 1º de setembro.
Para os bebês entre 6 e 11 meses e 29 dias, é aplicada a chamada “dose zero” da tríplice viral. Essa dose é adicional e não substitui as vacinas previstas no calendário infantil, que devem continuar sendo aplicadas nas idades recomendadas.
Na rotina do Calendário Nacional de Vacinação, pessoas de 12 meses a 29 anos devem ter duas doses da vacina contra o sarampo. Para quem tem entre 30 e 59 anos, uma dose é considerada suficiente dentro do esquema de rotina. Profissionais de saúde têm indicação específica de duas doses.
Durante a campanha ampliada nas três cidades paulistas, porém, a oferta é feita de forma indiscriminada dentro da faixa etária definida pelas autoridades, como estratégia para aumentar rapidamente a proteção da população e interromper a transmissão.
Campanha de multivacinação vai até 1º de setembro
O Ministério da Saúde iniciou a Campanha de Multivacinação 2026 para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos em todo o país. A mobilização começou em agosto e segue até 1º de setembro.
O Dia D nacional está marcado para 22 de agosto. Ao todo, a campanha contempla 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação, incluindo vacinas contra sarampo, poliomielite, meningites, pneumonias, influenza, covid-19, HPV e dengue, conforme idade e indicação.
O Ministério informou ter distribuído 1,5 milhão de doses para apoiar a campanha. Somente para reforçar a estratégia contra o sarampo, mais de 7,2 milhões de doses da tríplice viral já haviam sido distribuídas em 2026, com 3,2 milhões destinadas ao estado de São Paulo.
Quais são os sintomas do sarampo?
Os primeiros sinais podem ser confundidos com outras infecções respiratórias. Os principais sintomas descritos pelo Ministério da Saúde incluem:
- febre alta, geralmente acima de 38,5°C;
- tosse seca;
- coriza;
- irritação ou vermelhidão nos olhos;
- mal-estar intenso;
- manchas vermelhas pelo corpo.
As manchas costumam surgir primeiro no rosto e atrás das orelhas e, depois, espalham-se pelo restante do corpo. A persistência da febre depois do aparecimento dessas manchas é considerada um sinal que merece atenção, especialmente em crianças pequenas.
Quem apresentar febre acompanhada de manchas vermelhas e sintomas respiratórios deve procurar um serviço de saúde para avaliação. Pessoas com suspeita de sarampo não devem tentar resolver a situação apenas com automedicação.
Sarampo pode causar complicações?
Sim. Embora algumas pessoas se recuperem sem complicações graves, o sarampo não deve ser tratado como uma doença infantil inofensiva. O Ministério da Saúde destaca riscos como pneumonia, infecções de ouvido e, em casos mais raros, comprometimento neurológico.
Crianças pequenas, pessoas com imunidade comprometida e outros grupos vulneráveis podem apresentar maior risco de evolução desfavorável. Por isso, a prevenção por meio da vacinação e o diagnóstico precoce são considerados fundamentais.
Quem não deve tomar a tríplice viral?
A vacina tríplice viral utiliza vírus vivos atenuados e possui contraindicações específicas. O Ministério da Saúde informa que gestantes e crianças menores de 6 meses não devem receber a vacina.
Pessoas com imunodepressão precisam de avaliação profissional antes da aplicação, já que a indicação depende do grau de comprometimento do sistema imunológico. Também existem cuidados específicos para pessoas com histórico de alergia grave a componentes da vacina.
Mulheres em idade fértil que recebem a tríplice viral devem evitar engravidar por pelo menos um mês após a vacinação, conforme orientação oficial. Em caso de dúvida sobre contraindicações, a recomendação é conversar com a equipe da unidade de saúde antes da aplicação.
Posso me vacinar mesmo sem o cartão de vacinação?
Sim. O Ministério da Saúde recomenda levar a caderneta ou cartão de vacinação sempre que possível, pois o documento facilita a conferência das doses anteriores. No entanto, a ausência do cartão não impede a vacinação.
Quem perdeu o comprovante pode procurar uma unidade de saúde para receber orientação e verificar a possibilidade de recuperar ou atualizar os registros disponíveis.
Onde tomar a vacina contra o sarampo em São Paulo?
Na capital paulista, a vacinação é oferecida nas Unidades Básicas de Saúde durante a semana. Aos sábados e feriados, há atendimento em unidades AMA/UBS Integradas, embora horários possam variar.
Guarulhos e São Bernardo do Campo também participam da estratégia ampliada. Como pontos e horários podem sofrer alterações ao longo da campanha, o mais seguro é consultar os canais oficiais da prefeitura de cada município antes de sair de casa.
Nas demais cidades paulistas, a Campanha de Multivacinação segue com foco na atualização das vacinas de crianças e adolescentes menores de 15 anos, de acordo com o calendário e as orientações locais.
Por que a cobertura vacinal é tão importante contra o sarampo?
O sarampo se espalha com facilidade quando encontra grupos de pessoas sem imunidade. Segundo dados citados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em 2026 a cobertura da primeira dose da tríplice viral estava em 77,5%, enquanto a segunda dose alcançava 65,5% — índices abaixo da meta de 95% usada como referência pelas autoridades de saúde.
Altas coberturas vacinais reduzem o número de pessoas suscetíveis e dificultam que um caso importado dê origem a uma transmissão prolongada. Esse é um ponto especialmente importante porque o Brasil recuperou, em 2024, a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo.
Casos importados ou cadeias localizadas não significam, por si só, que o sarampo voltou a circular de forma endêmica no país. Ainda assim, funcionam como um alerta para a necessidade de manter a vacinação em dia.
O que fazer diante da alta de casos?
Para quem vive nas áreas incluídas na intensificação, a principal medida é verificar a situação vacinal e seguir a orientação da campanha. Quem apresentar sintomas compatíveis deve procurar atendimento e informar à equipe de saúde sobre febre, manchas no corpo, sintomas respiratórios e eventuais viagens ou contato com pessoas doentes.
A vacinação continua sendo a principal ferramenta de prevenção. O episódio em São Paulo mostra como uma doença altamente contagiosa pode voltar a aparecer quando encontra pessoas sem proteção suficiente, mesmo em países que já interromperam a transmissão endêmica.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de sintomas, contraindicações à vacina ou dúvidas sobre o esquema de imunização, procure um serviço de saúde.
Fontes consultadas: Ministério da Saúde, Ministério da Saúde - Sarampo, CNN Brasil e UOL. Imagens meramente ilustrativas.
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